Figura de destaque do cinema francês, Agnès Varda construiu uma obra singular, livre e profundamente humana, no cruzamento entre a ficção e o documentário. Fotógrafa de formação, cineasta por intuição, ela nunca deixou de explorar o mundo com curiosidade, humor e engajamento. Seus filmes dão voz aos invisíveis, questionam o tempo, os lugares, os corpos e as memórias, ao mesmo tempo em que inventam novas formas de narrativa.
Cléo, linda e cantora, aguarda os resultados de um exame médico. Da superstição ao medo, da rua de Rivoli ao Café de Dôme, da vaidade à angústia, da casa dela ao Parque Montsouris, Cléo vive 90 minutos diferentes. Seu amante, um músico, uma amiga e um soldado abrem seus olhos para o mundo. "
Cléo de 5 à 7" é um dos filmes emblemáticos da Nouvelle Vague.
Este filme conta uma dupla história: a vida de um casal e o nascimento de um romance. Edgar e Milène vivem como reclusos em Noirmoutier; não conseguem se comunicar, mas se amam, e esse amor dará à luz uma criança. Quanto ao romance de Edgar, ele surge do nada, pois, durante seus passeios, ele encontra personagens do dia a dia que se tornam as “criaturas” de seu livro. As “criaturas” ganham vida ao longo de uma partida intensa, na qual Edgar defende não apenas suas convicções, mas também seu amor.
O filme é um musical feminista. Duas jovens vivem em Paris, em 1962. Pauline (17 anos), estudante, sonha em deixar a família para se tornar cantora. Suzanne (22 anos) cuida de seus dois filhos e enfrenta os dramas do suicídio do pai deles. A vida as separa, e cada uma vive sua própria luta como mulher. Pauline se torna cantora em um grupo militante e itinerante após uma experiência difícil no Irã. Suzanne sai da sua miséria e passa a trabalhar no Planejamento Familiar. Dez anos depois, elas se reencontram durante uma manifestação feminista. No final desta crônica, voltamos a vê-las juntas, novamente, com seus filhos já crescidos.